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Veganos e vegetarianos: quem são? O que comem? Como vivem?

25.9.15Camila Aldrighi


Para além das comparações destas perguntas com as do Globo Repórter, como bem sabemos, o veganismo e vegetarianismo são filosofias de vida bastante polêmicas. Muitos não as compreendem, outros têm um misto de curiosidade e admiração, mas a grande maioria tem informações equivocadas sobre o tema.

Diante da relevância de se esclarecer essas diferenças, o Eixo decidiu buscar informações com alguém que entende bem do tema, como a queridíssima Monize. Ela é vegana, dona da “MN Vegan Joy: Delícias sem crueldade”, uma empresa de gastronomia voltada para esse segmento, e é bastante ativa nas diversas redes sociais, principalmente em grupos no Facebook para pessoas que optaram por estas filosofias, em Brasília, especificamente, ou pelo país.

Monize é bastante ativa nas diversas redes sociais, principalmente em grupos no Facebook, formado de pessoas que optaram por estas filosofias, em Brasília, especificamente, ou pelo país. Aqui você poderá ler, na íntegra, a entrevista que fizemos com ela.

#PartiuEntrevista


Eixo Alternativo: Monize, para começar, uma pergunta básica: Como você diferenciaria o vegetarianismo do veganismo, definindo os dois de forma breve?



Monize: Vegetarianismo é uma dieta que tem diferentes vertentes: alguns vegetarianos consomem ovos e/ou leite e derivados; outros optam por uma dieta vegetariana estrita, sem absolutamente nada de origem animal. O veganismo é uma posição política, uma filosofia de vida que vai muito além da alimentação, levando em consideração questões éticas e tendo, como principal base, a libertação de todos os animais, inclusive os humanos.



EA: Para além da alimentação, no cotidiano, o que um vegano observa?

M: Nós fazemos nosso melhor para observar tudo que utilizamos. Fazemos o possível para boicotarmos marcas que realizam testes em animais – seja na alimentação, nos produtos de higiene pessoal, maquiagem, limpeza e vestuário. Também não fazemos uso de produtos que contenham ingredientes de origem animal. Sempre que temos notícias de marcas/empresas que exploram humanos, boicotamos também. Eu levo meu veganismo para além disso e sou feminista: ,dou meu total apoio as causas das minorias oprimidas (ou maioria, dependendo do caso). No meu ponto de vista, isso tudo faz parte do veganismo; afinal, lutamos pela libertação de todos os animais, incluindo nós mesmos.


EA: Para quem está em família de onívoros, mas tem interesse nestas filosofias, o que você indicaria como sugestão?

M: Indico persistência e resistência. Despertar a curiosidade e o interesse pela culinária é uma ótima dica também; assim temos autonomia e independência para cuidar da nossa própria alimentação. Recomendo não bater de frente, caso a família se oponha, mas resistir e ir mostrando, aos poucos, que não só é possível, mas tão gostoso quanto ou até muito mais do que refeições que contém carnes e afins. Já estou há dois anos nessa caminhada e tenho a sorte de cozinhar muito bem, mas, mesmo assim, minha mãe ainda faz careta para várias das minhas comidas (mas já mostra muito mais curiosidade e interesse do que antigamente).

EA: Sabemos que não é fácil essa mudança, ainda que seja mais fácil a partir do momento em que você reflete sobre a situação dos animais e se esforça para sair da sua zona de conforto. Como foi a sua trajetória rumo ao veganismo? Sua família era vegetariana ou vegana? Quais as suas dificuldades?

M: Eu tive meu primeiro contato com o mundo vegetariano em 2011. A princípio, fiquei bastante interessada, mas não dei muita bola. Em 2013, comecei a trabalhar com uma colega que é vegana e despertei o interesse pelo assunto novamente. Quando comecei a trabalhar com comida vegana, eu não era vegetariana ainda. À medida que eu fui me inserindo no movimento, pesquisando e assistindo vídeos e documentários, eu percebi o quão hipócrita estava sendo por vender uma refeição vegana, chegar em casa e almoçar um bife. Em setembro de 2013, me tornei vegetariana, consumia leite e ovos somente se estivessem mascarados (em um bolo, por exemplo) e consumia queijo. Em dezembro de 2013, adotei a dieta vegetariana estrita. Comecei a pesquisar e a fazer as adaptações necessárias para me tornar vegana e, em abril de 2014, aderi ao movimento de vez. Eu não vou mentir e dizer que é fácil. Minha família não é vegana, quiçá vegetariana e debochou bastante quando tomei minha decisão. Até hoje sou obrigada a aturar piadas sem graça. A questão é enxergar as nossas dificuldades como o menor dos problemas e maximizar o peso do sofrimento ao qual os animais são submetidos diariamente. Minha maior dificuldade era comer na rua, mas, hoje em dia, temos várias opções; e com o tempo fui descobrindo vários lugares onde é possível improvisar um lanche/refeição vegan.

EA: Sem leite, queijo, ovos e carnes... Mas o que comem os veganos, então? Só salada? 


M: Comemos todo o resto! Coxinhas, quibe, sorvete, moqueca, vatapá, tapioca, sanduíches, cachorro quente, milk-shakes, “pão de queijo”, queijos vegetais e olha só, comemos salada também. Até hoje nunca me deparei com um prato que não conseguisse fazer substituições pra torná-lo vegano.




* * * PAUSA DRAMÁTICA PARA AS COMIDAS VEGANAS DA MONIZE * * *
    
  

EA: É caro ser vegano?

M: Não é caro ser vegano. O veganismo vai ser caro, se você decidir adotar o consumo de industrializados veganos, como, por exemplo, salsichas, nuggets, linguiças e etc. Esses produtos são sim muito mais caros, se comparados com outros de origem animal. Mas nós não precisamos disso pra viver. Nós precisamos de variedades de verduras e frutas, variedades de leguminosas como feijões, grão de bico, lentilhas; oleaginosas como amendoim e castanhas no geral também são bem vindas. Se as carnes, os leites e derivados forem retirados da lista, com toda certeza, é possível ter uma alimentação muito mais variada e rica em nutrientes gastando o mesmo ou até menos.

EA: Sabemos que um dos grandes problemas enfrentados nessa transição são as refeições fora de casa... Aqui em Brasília, é difícil encontrar estabelecimentos veganos? Existem cursos para quem tem interesse nesse tipo de gastronomia?


M: Não temos tantos estabelecimentos veganos, mas temos algumas opções. Temos várias opções vegetarianas com opções para veganos e vários estabelecimentos convencionais que oferecem ao menos uma opção vegana ou “veganizável”. Com certa frequência, vejo oferta de cursos para veganos e vegetarianos. Uma dica legal é ficar de olho no grupo do Facebook “Veganos (as) e Vegetarianos (as) – Brasília”.

EA: Você teria documentários para indicar para as pessoas que tem interesse no vegetarianismo e no veganismo?


M: Indico o A Carne é fraca, Terráqueos (ambos disponíveis do Youtube) e A conspiração da vaca: o segredo da Sustentabilidade (disponível no Netflix).

(todos os documentários citados pela Monize e presentes no youtube estão na playlist abaixo)





Muito obrigada pelos esclarecimentos e dicas, Monize! O Eixo agradece muito! <3

   

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4 comentários

  1. entrevista incrível! o site está cada vez melhor, parabéns! :DDD

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    1. Obrigada, Carol! Fico muito feliz que tenha gostado! Continue conosco que queremos melhorar sempre mais e mais para gente maravilhosa como você <3

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  2. Respostas
    1. Você que arrasou e sempre arrasa, flor! Gratidão <3

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